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Quem Carla Consente- ‘O Real português’

“As temperaturas avizinham-se frias. Muito frias. Há vários dias que vivemos neste pseudo-gelo. Mas nesta semana que passou, houve algo quente que serviu para aquecer. Aquecer os ânimos, pelo menos. Na passada quarta-feira, 25 de Janeiro, o Barcelona e o Real Madrid defrontaram-se, mais uma vez, mas desta, para a Taça do Rei.

O Barcelona vinha com vantagem do jogo da 1ª mão, depois de ter vencido por 2-1. Desta vez, o resultado foi um empate a 2 bolas, o que se mostrou insuficiente para que o clube de Madrid pudesse seguir em frente na competição.
 Mais uma vez, o Real Madrid perdeu frente ao seu grande inimigo, o Barcelona. No entanto, há quem diga que foi um dos melhores jogos, se não o melhor  que a equipa de Mourinho já fez contra o rival.

Eu concordo. Os fãs de futebol que assistiram ao jogo ficaram satisfeitos. Foi um jogo bem disputado. Contudo, foi enervante. E este é o cerne da questão. Todos nós temos o direito de escolher o clube que quisermos. Por um motivo ou por outro, temos sempre uma preferência. Para quem gosta de desporto, e em especial de futebol, sabe que um confronto entre estas duas equipas é sempre imperdível. A curiosidade é ainda maior quando, dentro de uma das equipas, se encontram portugueses de alto nível, como é o caso de Cristiano Ronaldo, Pepe e José Mourinho. Ou pelo menos, na minha óptica, deveria ser.

Muitos de nós, amantes do futebol, já tinha um clube preferido em Espanha, antes de alguma destas personalidades fazem parte da equipa madrilena. É legítimo e tem de se respeitar. No entanto, não sei o que leva uma pessoa a preferir o Barcelona, DEPOIS dos portugueses já estarem no Real. Porquê esta escolha? Em que é que se basearam?
 Sempre quis respostas plausíveis a estas questões. Mas depois de muito observar e perguntar coisas deste género, a resposta, para mim, ficou clara. A esmagadora maioria dos portugueses que, hoje, torce pelo Barcelona, apenas o faz porque o Real Madrid tem portugueses na equipa. São portugueses controversos, de extremos. Têm pessoas que os veneram, outras que os odeiam. Mas isto justifica alguma coisa?
Aqui ninguém tem de venerar ninguém. Cada um gosta daquilo que gosta. Mas falamos de algo que se sobrepõe, claramente, ao aspecto futebolístico da coisa. Estou a falar do país. Do ser português. A nossa pátria.

Que raio de povo é o nosso que prefere “estrangeiros” em vez dos “tugas”? Andamos mergulhados na depressão, mas parece que somos nós próprios a meter-nos para baixo. Em vez de apoiarmos aqueles que, de certa forma, nos podem proporcionar bons momentos, insistimos no bota-abaixo.
 É legítimo preferirmos o Messi ao Ronaldo. Mas já não é aceitável que se prefira o Messi porque o Ronaldo é português ou porque “tem a mania que é giro”. E isto acontece sim, e é triste. Muito triste.
 E aqui não deixo de dizer o que penso. A esmagadora maioria das pessoas que, na passada quarta-feira, vi a desejarem a vitória do Barcelona, eram benfiquistas. Agora é aquela parte em que os benfas ficam chateados. Não fiquem. É a verdade. Basta-vos não ter palas nos olhos. Basta darem um pulo às redes sociais, Facebook e Twitter, e verem quem, maioritariamente, torce por um e outro clube.

Ninguém me tira da cabeça que muita desta “azia” contra o Real Madrid tem essencialmente um nome: Cristiano Ronaldo. Não se esquecem do famoso “manguito” que fez na última vez que esteve no Estádio da Luz. E a partir daí, o número de haters cresceu em flecha. Felizmente, houve aqueles que souberam separar as águas. É que aqui ninguém é obrigado a gostar do Ronaldo. O que é estúpido é quando metem este tipo de situação à frente do orgulho de ser português. Porque todos nós sabemos o quanto o futebol é importante o país, por muito que custe a admitir a certas pessoas.
 Mas é que se ele é grande dentro de campo, na boca dos “aziados” é ainda maior. Para eles, até deve ser o rapaz a pagar a nossa crise, “porque tem muito dinheiro”. Deixem-se de se fazerem de coitadinhos, mas é. Falar mal dos outros e daquilo que é nosso não faz com que a vossa vida deixe de ser medíocre. Bem pelo contrário. Aprendam a gostar do que é nosso, e não apenas do que vem de fora. Não somos obrigados a gostar de tudo o que é português. Nunca disse isso, nem nunca o direi. Mas chega a ser nojento a forma como tratamos aquilo que é “nosso”. Simplesmente não nos valorizamos. E quando vemos alguém bem sucedido, tendemos sempre a pensar que é “arrogante”, “estúpido”, “burro”, ou então ainda melhor, “que não merece aquilo que tem”. A inveja é um sentimento muito feio, mas a ignorância devia pagar imposto.
 Não se esqueçam. Hoje eles, mas amanhã pode ser um dos vossos. E se isso acontecer, vocês não vão gostar de ver os “nossos” a falar mal daquilo que, na teoria, deveriam apoiar. E aí, talvez se revoltem. Nessa altura, venham falar comigo. Terei todo o prazer em vos dizer: “Aguenta! Não chora!””.

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